quinta-feira, 27 de março de 2008

Em breve... Em breve... MM



--Mamãe! Mamãe! Deus morreu!

--Não te preocupes, amanhã ele volta.



--Mãe, ele não voltou não...

--Não te preocupes, amanhã ou depois ele volta.




--Vovó, Deus vai voltar?

--Oh minha netinha...



Daniel Rodrigues Guimarães




Rosa: Calça-sob-escondido



O Rosa, de repente, se viu mais uma vez preso.

--Nem sabe ele, rosado, que as mulheres gostam das coisas aos avessos--



Daniel Rodrigues Guimarães


segunda-feira, 3 de março de 2008

Amanhã será guerra


Fale, e não diga.

Não possui o direito, não minta.

Venha e beije, não encoste.

Mate e viva, não o considere: o corte.

Pois amanhã será guerra,

Talvez, sem sangue azul,

Amarelo ou verde,

Pegue e congele, congela.

Não é verde: é vermelho.

Surpresa, presa do destino,

Sina, sina, sina.

Bate o sino gelado.

Desista, não omita,

Não cometa, sem conquista:

Aquele que negar uma ordem!


MAS...

Terá sua vez,

Sua guerra, suas mortes,

Sua mão, suas noites.

Mate-os! Corte-os!

Sina desejada!

Sorriso aguardado.

Vitória!

Vitória!

Marcas das pelejas.

Guerra.


Amanhã será guerra!

Brilham as almas.

Brilham aos pares:

“Amanhã será minha vez;

Que meu sangue sem cor

Se corrompa mais uma vez!

Porém, com o fervor do ataque:

Minha vingança não é doce,

É ácida!

Minha sanha, vontade de marcar

Novos simplórios!

Que continue o ciclo!

E eu ovárico!

De vingadores,

De cicatrizes,

De soldados:

Veteranos de guerra!”



Daniel Rodrigues Guimarães

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008


Duas maneiras de se comer o fruto desejado



Há duas maneiras
De se comer
a fruta desejada:

Retirá-la diretamente do pomar,
Limpá-la levemente,
Gentilmente;
Só então ai,
Com todo cuidado,
Sutilmente
Devorá-la calmamente,
à lépidas variações.


Ou

Recolher do chão
A fruta já caída,
Limpando-a discretamente,
Evitando, claro,
Devorá-la,
Sem antes pesquisá-la
Em todos os cantos
Todas as diagonais e curvas.
Só assim, desse modo,
Variando um pouco
De fruta a fruta,
Pode-se saciar completamente.



Há, porém, uma importante dica:

Se for recolhê-la diretamente,
Não se esqueça
De olhar para o solo
E seus nutrientes;
Averiguando
O que deves averiguar.

Se for caída no chão,
Não se lembre nunca
De olhar para as estrelas
Pois uma delas já caiu...
E agora está em suas mãos.



Daniel Rodrigues Guimarães

sábado, 16 de fevereiro de 2008




O lamento de um companheiro distante



A luz
ainda estava acesa.
Ligado, funcionando.

Veio cortante.
Nem cortou, a bala.
Mas matou.

Jogando jogadora estava
Dois jogos:
UM,
décima primeira fase
difícil, perigosa
desconcertante, nova.
DOIS, não se sabe
não se viu
mas permaneceu
intacto, ligado:
funcionando.

(Não sei explicar:
talvez seja uma dor de colega
alguma sensação de companheirismo
aquele lamento
por uma vida perdida.)

Que tragédia!
Morreu jogando no meio do caminho!
Não é normal.
Não é estatística.
Não se trata vidas assim...

UM, jogo parou.
DOIS, outro continuou.
DOIS, inevitavelmente parou.
(E a dor de desligar? E A DOR?!
Não o culpem.
Quem sabe ela morreu feliz,
jogando...)
E TRÊS, sempre continuou,
continuará:
Novos jogadores
Cenários mudados
Objetivos figurados...

(Que tragédia!
se {ela} estivesse assistindo novela,
Talvez não me sentiria tão mal assim!)



Daniel Rodrigues Guimarães


Pesâmes por uma companheira: